02/10/2014

Biblioteca - Extrato do livro Remember the Time



Bill: Quando ele voltou de Tóquio, passou aqueles dois dias em Los Angeles. Ele foi visitar um alfarrabista. Tinha muitos livros raros, das bibliotecas pessoais de alguns astros bastante famosos de Hollywood. Eram livros que Humphrey Bogart tinha assinado, livros que Ingrid Bergman tinha assinado. Ele perguntou ao proprietário quanto seria necessário para comprar todos os seus livros. O proprietário não o levou a sério. Então ele fez uma oferta de $100,000, disse que pagava em dinheiro no local. Duas semanas depois voltou a Los Angeles. Aquela U-Haul carregada com todos aqueles livros, apresentou-se na casa de las Vegas.

Javon: Quando aquela U-Haul foi embora, eu e Bill, ficamos tipo, “que diabo é suposto fazermos com isto?”

O Sr. Jackson apontou para um dos quartos do segundo andar e disse que o queria tornar numa biblioteca. Ele disse, “ Rapazes, precisam construir umas prateleiras aqui”.

Então nós fomos à Lowes e trouxemos algumas estantes, levámo-las para dentro de casa e montamo-las. Depois tivemos que levar todos os livros para o elevador, caixa por caixa. Primeiro separamos todos eles por etiqueta e categoria, ficção ou não-ficção, mas ficou avassalador quando começamos a empilhar os livros nas prateleiras, em nenhuma ordem particular. Mas ele ficou feliz com isso. Ele ia para lá e ficava perdido, encontrando coisas interessantes para ler.


Bill: Ele nunca usava óculos de leitura em público, ele ia sempre aquela prateleira onde eles guardam óculos, ele pegava um monte, experimentava vários até encontrar um par que correspondesse com à sua prescrição, foi assim que eu soube que os seus olhos não estavam bons.

Quando lia em casa, ele tinha uma dessas lupas que usam nos consultórios médicos. Com um tipo de luz interna que transforma as coisas um bilião de vezes maior.

Há uma banca de jornal em Las Vegas, onde se pode comprar jornais de quase todos os países do mundo. Ele queria-os todas as semanas. Ele dizia:

"Tudo o que houver de jornais estrangeiros, tragam-me”

“Mesmo aqueles em idioma diferente?”

“Sim”

Tudo o que eles tivessem em estrangeiro, nós trazíamos.

O que ele lia em todos eles, e quais as línguas estrangeiras que ele entendia, eu não tenho ideia.

Ele lia The Wall Street Journal todos os dias. Era a única imprensa americana que ele consumia, porque The Journal era praticamente o único sítio onde ele podia conseguir notícias verdadeiras sem entrar em história loucas sobre Michael Jackson. Essa era a razão porque ele não assistia a TV, apenas DVDs. O homem era a piada principal no Leno Show, praticamente todas as noites. Era como se ele não pudesse arriscar a ligar a televisão. Ele não queria ver essas coisas, e não queria as crianças expostas a isso.

Isso era um desafio, porque íamos a tantas livrarias e bancas. Nós recebíamos chamadas da Raimone, ela dizia, “Vai sair um artigo em tal e tal revista. Certifiquem-se de que ele não veja isso.”

Então, nós íamos até à Barnes & Noble primeiro que ele, e sabíamos qual a revista a procurar. Pegávamos na pilha toda e tirávamo-las da prateleira.

Às vezes havia um bom artigo acerca dele numa revista, A Srª. Raimone enviava isso para mim com indicação para entregar ao Sr. Jackson. Eu entregava-lhe a revista, ele pegava, mas depois empurrava a sua mão para trás e dizia, “Está tudo bem, em eu ler isso?”

“Sim senhor.”

“Não é nada de mal?”

“Não senhor.”

“Oh, ok”

Ele nunca entrava na Internet pela mesma razão. Se ele queria alguma coisa online, dizia-me e eu ia procurar. Embora ele tenha feito algumas compras no eBay. Ele tentou isso algumas vezes. Estourou com raio do meu cartão de crédito.

O homem tinha muita coisa a acontecer. Stresse mental. Ansiedade. E por um lado, era necessário que nós estivéssemos hipervigilantes acerca de tudo no seu mundo. Escondendo revistas, mantendo as câmaras afastadas dos seus filhos. Mas ao mesmo tempo isso era o nosso trabalho, tentar fazer a sua vida tão normal quanto possível, e isso significava recuar para que assim ele tivesse espaço para ser apenas uma pessoa. Ele não nos queria colados nele, fazendo-o sentir-se mais como um prisioneiro do que o que ele já era. Nós tínhamos as chaves de casa. Mas nós avisávamo-lo sempre se precisávamos de entrar. Nós não precisávamos de estar no seu espaço. Isso pertencia a ele e aos seus filhos. Então nós fazíamos todos os esforços para não estar lá.



Trecho do livro “Remember the Time: Protecting Michael Jackson in his Final Days”
Fonte: books.google.pt
Transcrição e tradução: Espaço Michael Jackson

3 comentários:

  1. Que triste, Nida.

    O que será que aconteceu com esta biblioteca preciosa?

    A foto é linda

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    Respostas
    1. Olá Elisa!
      Pelo que se sabe os pertences de Michael estão à guarda dos administradores do seu espólio.
      Aqui no blog, tem um vídeo que mostra um armazém onde se encontra o espólio deixado por MIchael.
      http://espacomichaeljackson.blogspot.pt/2014/02/manifesto-de-michael-jackson-escrito-em.html

      Penso que as coisa que ele tinha em Las Vegas também devem estar ai armazenadas.

      Beijinho!

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    2. E sim! essa foto tá muito linda!! ♡♡♡

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